A falta de sinal de celular, um problema enfrentado diariamente por moradores de comunidades rurais, motoristas e viajantes, pode estar mais perto de uma solução. A Vivo anunciou, nesta segunda-feira (26), o lançamento do Vivo Satélite, serviço desenvolvido em parceria com a Starlink, empresa de internet via satélite ligada à SpaceX, de Elon Musk.

A novidade permite que celulares compatíveis se conectem diretamente aos satélites quando estiverem em locais onde não existe cobertura da rede móvel convencional da operadora. A proposta é ampliar a comunicação em regiões afastadas, sem a necessidade de instalar antenas terrestres ou contratar equipamentos tradicionais de internet via satélite.

Segundo a Vivo, a tecnologia poderá beneficiar uma base de aproximadamente 50 milhões de clientes, entre consumidores e empresas, respeitando os critérios de elegibilidade e compatibilidade dos aparelhos.

WhatsApp, localização e chamadas mesmo longe das antenas

Uma das principais vantagens anunciadas é a possibilidade de continuar utilizando serviços essenciais de comunicação em locais onde o celular normalmente ficaria sem sinal.

Com o Vivo Satélite, usuários elegíveis poderão enviar mensagens pelo WhatsApp, Google Mensagens e iMessage, além de compartilhar a localização e consultar rotas pelo Google Maps e Apple Maps.

O serviço também permitirá realizar chamadas de voz pelo WhatsApp, ampliando as possibilidades de contato em situações nas quais a comunicação pode fazer a diferença.

Entretanto, a conexão não funcionará inicialmente como uma internet móvel convencional. O acesso ficará limitado aos aplicativos e recursos autorizados pela operadora, sem navegação irrestrita por sites e plataformas.

Tecnologia pode fazer diferença no interior da Bahia

IMPACTO REGIONAL

Para regiões como o Oeste da Bahia, onde existem extensas áreas rurais e longos trechos rodoviários com cobertura limitada de telefonia, a novidade representa uma possibilidade importante de avanço na conectividade.

Municípios como Ibotirama e cidades vizinhas possuem comunidades afastadas dos centros urbanos, além de rodovias utilizadas diariamente por caminhoneiros, trabalhadores e famílias.

Nessas localidades, a possibilidade de enviar uma mensagem, compartilhar a localização ou entrar em contato com familiares sem depender de antenas próximas pode trazer mais praticidade e segurança.

A tecnologia também poderá ser útil para produtores rurais, profissionais que trabalham em áreas isoladas e pessoas que precisam viajar por regiões com pouca infraestrutura de telecomunicações.

Apesar do potencial, a disponibilidade efetiva dependerá da compatibilidade dos celulares, das condições técnicas e das regras de utilização do serviço.

Como o celular vai se conectar aos satélites?

O funcionamento será diferente da conexão tradicional. Quando o usuário estiver fora da cobertura terrestre da Vivo, um aparelho compatível poderá estabelecer comunicação com a rede de satélites da Starlink.

Isso significa que o serviço foi pensado para complementar a cobertura existente, e não substituir automaticamente as redes 4G e 5G.

A operadora informou ainda que novos recursos deverão ser incorporados futuramente, acompanhando a evolução da infraestrutura espacial da SpaceX, incluindo uma nova geração de satélites com maior capacidade de transmissão de dados.

Quanto vai custar o Vivo Satélite?

Durante o período promocional anunciado, o serviço será oferecido sem cobrança adicional para clientes elegíveis.

  • Pessoas físicas: gratuidade por 12 meses.

  • Clientes empresariais: gratuidade por três meses.

  • Equipamentos M2M: condições específicas, com pacotes próprios.

A Vivo ainda não divulgou quanto os usuários deverão pagar após o encerramento do período promocional.

Uma nova fase para a telefonia móvel?

A chegada da conectividade direta entre celulares e satélites representa mais um passo na tentativa de reduzir as áreas sem comunicação no Brasil.

Embora ainda existam limitações técnicas e de compatibilidade, a iniciativa abre caminho para que a telefonia móvel alcance localidades onde a instalação de antenas tradicionais é difícil ou economicamente inviável.

Para quem depende do celular durante viagens, atividades profissionais ou deslocamentos pelo interior, a novidade pode representar uma mudança significativa na forma de se manter conectado.

Mas uma questão ainda precisa ser esclarecida para os consumidores: quais aparelhos serão compatíveis e quanto custará o serviço depois do período gratuito?

Essas respostas serão fundamentais para determinar o alcance real da tecnologia e sua acessibilidade à população.